sábado, 11 de agosto de 2012

Búzios realiza Operação Pinguim e devolve 28 animais da espécie de Magalhães ao mar na tentativa de salvá-los






 Fotos: Sergio Quissak


            Numa operação que envolveu dois caminhões, uma lancha, três técnicos de meio ambiente, uma bióloga, além de três equipes de reportagem, foram devolvidos ao mar na manhã desta sexta feira, em Búzios, um grupo de 28 pinguins da espécie de Magalhães, provenientes da Patagônia.

             Os pinguins libertados vinham sendo tratados há 45 dias pela Ong IEBMA - Instituto Ecológico Búzios Mata Atlântica, localizado na Praia das Caravelas, aonde chegaram semimortos trazidos por populares ou pessoas ligadas a secretaria de Meio Ambiente e Pesca do município.  

Os animais, em sua maioria jovem, começaram a aparecer nas praias de Búzios mortos ou doentes desde o final de junho. Após receberem tratamento e carinho dos técnicos Leonardo Sandri e Daniel Lopes e de voluntários do instituto, estes precisaram ser devolvidos a alto mar, na tentativa de uma chance de sobrevivência.

Ao chegar ao instituto, segundo o técnico Daniel Lopes, quase todos os animais sofriam de hipotermia, sendo necessário banhá-los com água quente, e depois aquecê-los com ajuda de um secador de cabelos, para só 24 horas depois passar a alimentá-los. Comendo cada um cerca de 800 gramas de sardinha todos os dias, os animais se recuperaram bem, atingindo em média quatro kilos quando foram soltos.

O transporte

             A Operação Pinguim começou por volta das sete e meia da manhã com a preparação dos animais, sendo alimentados cada um com oito sardinhas, para se manterem saciados e calmos, evitando que ficassem estressados ou se ferissem.  Depois estes foram transportados em dois grupos de 14 para mantê-los aconchegados, através de caixas de fibra de 500 litros, e levados de caminhão até o cais de Manguinhos.

                 De lá, numa lancha cedida por um empresário parceiro da secretaria de Meio Ambiente nestas operações, os animais foram levados a umas dez milhas da costa, na altura das ilhas Âncora e Gravatás, e, finalmente soltos, para emoção de todos.

                 O local escolhido, segundo a Secretaria de Meio Ambiente Adriada Saad, foi em razão de ali já ser mar aberto e haver a chance grande deles conseguirem pegar a corrente norte sul, que poderá levá-los de volta para casa.

          - O mérito deste trabalho é do Instituto Ecológico Búzios Mata Atlântica, nós só damos apoio. Eles trabalham voluntariamente, tratando animais silvestres doentes e nós mobilizamos o que for necessário para devolver os que sobrevivem ao mar ou as matas. É um trabalho de parceria que envolve muita gente, pois sozinho ninguém aqui iria conseguir realizar essa operação.
                 Ainda de acordo com a secretária a probabilidade dos pinguins conseguirem chegar de fato ao seu local de origem, a Patagônia, na Argentina, é pequena, em razão do processo de seleção natural que acontece na vida marinha, mas é preciso tentar contando com a sorte e com o fato de que a partir de setembro muitas correntes jogam o para o sul.  

                  A Secretaria de Meio Ambiente de Búzios está buscando parcerias com universidades, para se juntarem ao IEBMA, a fim de conseguir aumentar a chance de vida de diferentes animais que tem precisado do socorro humano para sobreviver.  No caso dos pingüins, segundo disse, a ideia é anilhar no futuro os próximos grupos que forem lançados ao mar, para verificar se são os mesmos que retornam.  

 O momento mais emocionante da operação foi quando os técnicos Leonardo Sandri e Daniel Lopes, que cuidaram dos animais por quase dois meses, tiveram que colocá-los rapidamente na água, a fim de evitar que sofressem. A bióloga Alessandra Nascimento, da UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense de Macaé que acompanhou a operação junto com a filha Fernanda, de seis anos, e o marido Rosalvo, por exemplo, chorou de alegria ao ver os animais ganharem a liberdade.

- É emocionante demais ver que existe uma prática do que se aprende na vida acadêmica. Eu vinha procurando um projeto de resgate de animais para me engajar, e creio que achei - disse ela.

 Nesse momento ainda existem oito pinguins ainda sendo tratados no Instituto Ecológico Búzios Mata Atlântica que chegaram ali debilitados recentemente, nas mesmas condições daqueles que se foram.

- É uma questão de tempo, amor e paciência, mas vamos conseguir salvar estes também, disse Leonardo Sandri, que além de dar a sua mão de obra voluntária ao projeto, gasta  a maior parte do salário, tentando salvar a vida de animais silvestres.   

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