segunda-feira, 24 de junho de 2013

Prefeitura homenageará famílias tradicionais de Búzios com projeto Memória de um Povo



Nesta segunda-feira, dia 24 de junho, o Prefeito André Granado, por meio da Secretaria de Cultura e Patrimônio Histórico, promove uma homenagem especial a vinte famílias tradicionais de Búzios integrantes do projeto “Acervo da Imagem e do Som – Memória de um Povo”. A homenagem acontecerá no Gran Cine Bardot, localizado no Centro da cidade, às 17h.

Focado no registro da história oral da cidade, o projeto reúne um conjunto de 20 filmes biográficos, editados a partir de entrevistas gravadas com moradores de Búzios, representantes mais antigos das famílias de tradição na cidade. O conteúdo destes registros orais acabou por se revelar um testemunho vivo da história local passada nos últimos 80 anos, abordando temas como usos e costumes, crenças, folclore, superstição, trabalho, comida típica, acontecimentos de época, pesca artesanal praticada, rotina doméstica, medicina da época, música, dança, e diversão.

A pequena aldeia de pescadores, que só precisou de uma geração para se tornar cidade e balneário turístico internacional, começou sua ocupação com habitantes de vida dura, que nasceram em casas de pau a pique erguidas na areia das praias. Os depoimentos que compõem o Acervo relatam esta história buziana através dos personagens que ajudaram a construí-la desde os seus primórdios.

O “Acervo da Imagem e do Som – Memória de um Povo” acontece por meio de uma parceria com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura RJ e Prefeitura de Búzios, através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Cultural dos Municípios do Estado RJ – PADEC.

Ao som do banjo
Presente na memória afetiva de buzianos e turistas, sempre espalhando alegria com as canções tiradas de seu banjo, João José Quintanilha, o famoso João do Banjo ou João de Leca, para os mais antigos, completa 97 anos de vida no dia 24. Para que ninguém esqueça sua bonita e importante contribuição à cultura e história local, durante a cerimônia no Cine Bardot, serão exibidas na tela suas histórias e canções, e anunciada a indicação (já aprovada na Câmara) para que fique instituído no Calendário Municipal de Búzios o dia 24 de junho de cada ano como dia comemorativo da valorização da Memória Oral Buziana. Esta iniciativa se dá para reconhecimento histórico e homenagem às pessoas que fazem e fizeram parte da construção da história de Armação dos Búzios.

No material do acervo, há relatos como de Lourdes Aurélio Martins, de 82 anos: “Aqui não tinha lojas, não tinha nada pra gente comprar. Uma roupa, nenhum calçado, então nós reunimos aqui umas cinco e foi um senhor levando a gente pra Cabo Frio. Nós fomos à pé. Ele à cavalo e nós à pé, seguindo ele. Pra ir nas lojas em Cabo Frio pra comprar roupa. Aí quando deu oito horas da manhã, nós tava na ponte esperando as lojas abrir pra gente comprar o pano pro vestido e o calçado. Quando chegamos em casa já era de noite. Mas ele vinha tomando conta da gente.  Naquele tempo tinha aquelas lanternas grandes. E foi assim. Quando chegava na festa a gente tava toda arrumada (...) A gente estava ali pra todo mundo ver como eram as moças de Búzios”.

Outro depoimento é de Ruth Patrocínio do Nascimento, de 88 anos: “Foi meu avô - Valentim Francisco Lapa - que trouxe a Igreja Metodista para Búzios. Ele foi trabalhar fora, e lá ele viu praticando o evangelho, e chegou em casa não queria mais saber de santo. Apanhou o oratório, fez um buraco, cavou, enterrou os santos, quebrou. Foram dar parte dele, naquela época só tinha delegado. Veio três a cavalo de Cabo Frio pra prender ele. Mas ao invés de chegar em Manguinhos, passaram direto pra Búzios. Eles não sabiam onde era. E até hoje esses delegados não apareceram pra prender ele (...) Depois é que fizeram a Igreja de Manguinhos, em 1933”.

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