| Dona Célia desolada pela perda do filho (Foto: Johnny Wander) |
Por Diogo Reis*
Especialmente para o blog
O choro ganhava força depois de uma saudosa salva de palmas. Ritual que se repetiu, no cortejo e no selamento da sepultura. A revolta beirava o desespero, familiares não se davam conta que perdiam um ente para tamanha violência. Indignada e aos prantos, a mãe de Rodrigo Millão soca o caixão e precisa ser consolada. A intensidade do golpe reforçou o pranto que tomava. Eram 14h40, hora do cortejo, no Cemitério de São Pedro da Aldeia, e dona Célia Soares, 73, não tinha mais forças para acompanhar o enterro, chegou à sepultura ajudada amigos e parentes.
Desaparecido por dois dias, depois de ser morto com inúmeras pauladas, o cabeleireiro de 35 anos, morador do Baixo Grande, em São Pedro, município da Região dos Lagos de Cabo Frio, foi encontrado num terreno baldio do Portinho, em Cabo Frio. A barbárie do crime impediu que o semblante descansado fosse visto pela última vez. Centenas de pessoas estiveram lá para aplaudir o cortejo e prestar as últimas homenagens.
– Eu não tenho mais vontade de viver. Ele era um amor, ele sempre me beijava quando saía de casa – lamentava, aos prantos, dona Célia, que morava com o filho que era solteiro, sem filhos e tinha cinco irmãos.
O crime chocou toda sociedade, em especial, a comunidade LGBT – Rodrigo era homossexual assumido. Assim que o corpo foi reconhecido por parentes, na madrugada de anteontem para ontem, no Instituto Médico Legal (IML) de Cabo Frio, a notícia ganhou as redes sociais e a comoção começou. Centenas de pessoas compartilhavam e comentavam a nota de repúdio publicada pelo Grupo Iguais, ONG engajada na causa de direitos humanos.
| Emoção tomou conta do velório (Foto: Johnny Wander) |
– Todo modus operandi com que o crime foi cometido nos remete à possibilidade de homofobia. Fiz questão de vir pessoalmente para contribuir no que for preciso para que a investigação obtenha êxito o mais rápido possível. A impunidade é justamente uma das grandes incentivadoras da homofobia – disse Claudio Nascimento, superintendente dos direitos individuais, coletivos e difusos da secretaria estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, que esteve reunido na tarde de ontem com o delegado-titular da 126ª DP (Cabo Frio), Luiz Cláudio Cruz.
Rodolpho Campbell, presidente do Grupo Iguais, também esteve presente para prestar não só solidariedade, mas também articular apoio à investigação do homicídio.
– Estudamos juntos em São Pedro. Ele era ótima pessoa. Como se já não bastasse uma batalha contra o fundamentalismo religioso, agora temos refletido e multiplicados diariamente em todos os cantos do Brasil barbaridades como essa, acometidas exclusivamente por repulsa e propagação de discursos de aversão e repreensão a homossexuais – acredita Campbell.
*Diogo Reis é repórter da Folha dos Lagos
| Entre amigos e parentes, Claudio Nascimento, coordenador do Rio Sem Homofobia, presta homenagens (Foto: Johnny Wander) |
Parabéns por seu trabalho Renata Cristiane, parabéns por mostrar a dura realidade para sociedade, precisamos de trabalhos como o seu pra ver se nossos governantes buscam soluções para um Brasil melhor.
ResponderExcluirPara a família do nosso eterno Rodrigo Millão que Deus conforte seus corações, e que de muita força para que lutem ate o fim.
Descanse em Paz, Rodrigo. Tenho certeza que todos que te conheciam de verdade vão lembrar de você com muito carinho. Sua alegria contagiava a todos que estavam ao seu redor. Era uma pessoa amada por todos, todos respeitavam sua opção sexual, pois sua grandiosidade deixava essa diferença irrelevante. Torço muito para que o caso seja resolvido com total justiça, pois o Rodrigo vai fazer muita falta pra sua família e amigos.Parabéns, Renata, reportagem muito fiel.
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